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O Brasil de Alencar

Um arquipélago de caranguejos

O Brasil de Alencar: Texto

Mapa 4

Os romances e Tordesilhas

O país de Alencar é aquele mesmo onde, segundo Frei Vicente Salvador, os portugueses, em vez de se aprofundarem nas terras, “contentam-se de as andar arranhando ao longo do mar como caranguejos”[1] 

O Brasil mais distante do litoral quase não existe como locus romanesco. A jornada de Estácio em busca das minas de prata somente chega à Serra do Sincorá, enquanto Iracema  vem dos campos do Ipu, lugares, respectivamente, a apenas 300 e 250 quilômetros do litoral. Com exceção de O gaúcho, uma narrativa de fronteira, os romances do escritor não conseguiram romper o famoso Meridiano de Tordesilhas, o limite da América Portuguesa até o Tratado de Madri de 1750. Mesmo Ubirajara, situado em uma região quase inacessível, fica aquém dessa marca. Embora O gaúcho a ultrapasse, Piratini, o centro da sua ação, fica a menos de cento e trinta quilômetros do litoral mais próximo, e as andanças de Manuel Canho, o herói do livro, não vão muito além, embora ele chegue a entrar pelos campos da Cisplatina e de Entre Rios. Nem mesmo O sertanejo, esse misto de romance histórico e regionalista, consegue fugir desse agarramento à costa brasileira. Na época em que se passam os episódios nele retratados, os rebanhos já haviam devassado o Nordeste brasileiro, em rincões muito mais interioranos, como Jerumenha, no Piauí, mas Arnaldo, seu herói, circula apenas entre Quixeramobim e Recife – a grande cidade costeira, símbolo local da civilização e das tentações do progresso –, como mais um avatar desse país orientado para o litoral, de costas para o interior. O detalhamento desses casos pode ser visto na aba "Romance a romance".

[1] SALVADOR, Frei Vicente do. História do Brasil. Brasília: Editora do Senado Federal, 2010, p. 70.

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Mapa 5

Os romances por assunto

É possível observar que, a partir do Rio Janeiro – ponto de encontro de vários tempos –, os romances regionalistas traçam um percurso para o Sul, rumo à fronteira gaúcha, enquanto lendas e romances históricos tomam o caminho do Norte, até os passados distantes de Iracema e Ubirajara. Observa-se, desse modo, em plano geral, o mesmo movimento que iguala viagem no espaço à viagem no tempo sugerido por Alencar em "Benção paterna" para caracterizar o espaço brasileiro (ver a aba Dialética alencariana).

Observação: neste caso, de modo estritamente operacional, para simplificar as legendas do mapa, classificamos também como "romances" as narrativas que compõem Alfarrábios.

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Gráficos

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